segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

De passagem



Quando meus olhos se abriram
e pude encarar meu próprio rosto
com a cabeça tombando para o lado,
percebi que algo de mim estava morto.
Houve gritos e exclamações,
choros e lamentos
e as vozes dos que me amavam
bradando meu nome;
mas não havia o que responder,
pois o que eles viam de mim
já não era eu,
pois o que eles viam de mim
já não era meu;
ali, onde julgavam ver a mim,
não era onde eu realmente estava.
Pairei por algum tempo
entre o sonho e o delírio,
sem ter exata noção
de mim mesmo.
Houve saudades,
houve preces,
missas foram encomendadas
e cantos foram entoados;
e tantos foram os que me receberam
quanto os que não queriam me deixar partir.
Mas a caminhada era somente minha,
e por isso eu precisava me encontrar
em meio às minhas próprias dúvidas.
Ah, Senhor! Mostra-me o caminho,
que andar é minha sina
pra chegar mais junto a Ti.
Glaucio Cardoso
28/09/15

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Kadima



Adeus,
vou partir.
Deixo um beijo
em cada coração,
um abraço, um sorriso,
um aperto de mão.

Adeus,
não posso mais.
Meu prazo findou,
meu tempo chegou
e saio de fininho.

Adeus,
de ninguém me esqueço,
a nada me apego.
Ao lembrarem de mim
não me deem defeitos
que não tive,
nem virtudes que não mereço.

Adeus,
parto tranquilo.
se não fiz tudo o que podia,
ao menos aprendi
com tudo que fiz.

Adeus,
quase nada levo,
só os erros e acertos
que formam meu tesouro
que a traça não destrói.

Adeus,
não chorem demais,
estarei logo em paz.
Entrego meu corpo à terra,
entrego minhas palavras ao mundo,
e minha alma, neste momento de adeus,
entrego sereno a Deus!
Glaucio Cardoso
02/11/2015
Dia de finados


Kadima: “[seguir] em frente” (Hebraico).

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Se alguém me perguntar por onde andei



Se alguém me perguntar por onde andei,
Dos momentos bons que eu passei,
Eu vou dizer que tudo foi normal.

Mas se você quiser toda a verdade,
Eu sinto que vivi pela metade,
Feito confete sem um carnaval.

E para aliviar esse cansaço,
Eu só preciso mesmo é de um abraço
Que me devolva pra de onde eu vim.

Ainda tenho muito a caminhar,
E o que não é meu não vou levar,
Eu tenho um horizonte só pra mim.

E seja para trás ou para frente,
Cada passo é um e é diferente,
O caminho é que define o que se é.

E enquanto houver um rumo pra seguir,
Tem tempo pra chorar e pra sorrir,
Num dia diz-se “alô”, no outro “até”...
Glaucio Cardoso
05/08/18

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Lançamento: Caminhos


Eis que chega meu filhote caçula! Publicado pelo Clube de Arte, Caminhos representa um convite à ver a vida com mais poesia, a pensar a nossa existência como uma jornada rumo ao infinito.
Estou muito contente por essa parceria com o Clube de Arte, que possibilitará que minha poesia de aprendiz chegue a muitos corações.

Pode ser adquirido CLICANDO AQUI.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Quando eu morrer quero ficar



Quando eu morrer quero ficar,
Não contem ao Mário de Andrade,
Mas quero ficar insepulto.
Não posso contentar-me
Com o sono eterno dos justos,
Nem com a estúpida contemplação
Do paraíso, seja lá que nome possam lhe dar.

Quero ficar insepulto
Na mais fina acepção do termo,
Pois que apenas poderão
Enterrar-me o corpo,
Essa massa ignorante.

Quero ficar de boca em boca,
Quero permanecer de um jeito
Mais transcendental que fantasmagórico.

Não quero a morte brônzea das estátuas,
Mas a vida incessante das ideias.

Então contem a todos, menos ao Mário de Andrade,
Que quando eu morrer quero ficar.
Glaucio Cardoso
22/09/16