domingo, 17 de setembro de 2017

Por ser amor


O sol, o céu, o mar,
Tudo o que existe entre o nada
E o infinito,
São presentes do Criador
A nos demonstrar seu puro afeto.

As provações que nos afligem
São como nuvens passageiras
Que por mais que se demorem
Sempre dão lugar à luz.

É por ser amor
Que Deus nos deu a chuva e a aurora.

É por ser amor
Que salpicou o infinito de estrelas
Que cantam sua glória.

É por ser amor
Que Ele acredita em cada filho seu.

É por ser amor
que espalhou a beleza que nos habita.

É por ser amor
Que Deus criou você!
Glaucio Cardoso
Inspirado na música homônima de Aldo Motelevicz
31/08/17


sábado, 15 de julho de 2017

Cantos da Lua


A luz do luar é som...

A lua crescente
Faz barulho de fruta madura no pé.

A lua minguante
Murmura com o leito seco dos rios na vazante.

A lua nova
Traz uma sinfonia
Que lembra as nuvens vistas de cima.

A lua cheia
É a mais sonora de todas
Com seus acordes de orvalho serenando na mata.

Mas tem uma face da lua
Que ninguém nunca ouviu,
E ando desconfiado
De que ela canta pro cosmo
As canções de terras distantes
Em sussurros de tempos idos e vividos.
Glaucio Cardoso

14/07/17

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Asas no tempo


Para a Abrarte em seus 10 anos
Um sonho sonhado sozinho,
No íntimo de um coração poeta,
É como poeira ao vento,
Se espalha, mas não se completa.
Sonho pra ser bem sonhado,
De jeito que vire realidade,
Tem que ser compartilhado.

Da lagarta o sonho se fez,
De galgar altos céus,
Vislumbrando horizontes sem fim,
Veio rolando por tempos e espaços
Se encasulando pra desabrochar,
Abrindo e batendo suas asas
Na ânsia do belo voar.
E esse sonho foi se espalhando,
Fazendo morada em outros irmãos
Que foram se achegando
No trabalho de múltiplas mãos.

Mas ainda há que sonhar,
Vem, abre teus braços
E recebe essa sinergia,
Que uma cabeça só é pouca
Pra esse sonho realizar.
Pois há luzes de toda parte
Chegando cada vez mais
Pra se reunir,
Pra se fortalecer
E então frutificar.

Sonhadores de tantos lugares,
Artistas de tantos sonhares,
Abram os braços,
Estendam suas asas
E vamos sonhar outros ares!
Glaucio Cardoso

Maio/2017

terça-feira, 13 de junho de 2017

Profana-ação

Em uma rua qualquer
De uma cidade insana
Há um bordel
Em frente a uma igreja.
Basta atravessar a rua
Para adentrar
Num antro de pecado,
Devassidão e corrupção
De valores.
Atravesse de volta
E tudo o que se tem
São mulheres vendedoras
Dos próprios sonhos despedaçados.
Glaucio Cardoso

12/06/17

sábado, 13 de maio de 2017

Palavras de um Preto Velho


“Sua benção, Vovô!”,
Eu pedi me ajoelhando,
Já não aguento mais
Viver penando
E descanso não ter jamais.”

“Trago o coração amargurado,
Revoltei-me contra Deus,
Mas me lanço aos vossos pés
Buscando os conselhos teus
Pra fugir do meu revés.”

Da fumaça de seu cachimbo
O velho soltou uma baforada,
No chão riscou um sinal
E falou com a face iluminada
De sabedoria ancestral:

“Fio, nêgo véio sabe é nada
Pra se fazê de aconselhado,
Mas divido com fio meu
O que a vida ensino
E esse véio não esqueceu.”

“O hômi vive agastado,
O tempo querendo mudar
Pelos caprichos seus
Sem parar pra atentar
Que o tempo é presente de Deus.”

“Fio, quando chega o inverno
E a dor abate o hômi
Quer encurtar o momento
Sem vê que dor que o consome
É que faz seu crescimento.”

“Quando a flores surgem
Enfeitando o seu caminho,
Do dia de amanhã se esquece,
Não lembra que tudo fenece
E que até as rosa tem espinho.”

“Fio, deixe de reclamação,
Não dê guarida pra tristeza
E não alimenta o desengano,
Pois tudo é certo na natureza
E obedece ao divino plano.”

“fio, óia a sabedoria do Pai:
Te deu dois zóio e duas mão,
Dois ouvido e uma boca só.
É tudo parte da criação
Pra evoluir e desatar os nó!”

Tem dois zóio pra enxergar,
Pra vê do mundo as beleza
E podê cantar de louvor,
Mas usa a boca pra espaiá tristeza
E esquece de pregar o amor.”

“fio, nas resmunga com essa boca,
Que ocê tem os ouvido
Pras estrela escuitá
E alevantá os caído
Que vive a suplicá.”

“Fio, quando pensar em pragueja,
Lembra dos estropiado
E ao invés de erva daninha
Lança mão no roçado
Prantando fruta e frôzinha!”

Enxuguei então minhas lágrimas
E vi essa grande verdade:
Que é preciso viver o Evangelho
Com humildade e simplicidade
E a sabedoria de um Preto Velho!


Glaucio Cardoso
12/05/17