sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Pensando melhor



Pensando melhor,
Livros de Poesia
Deviam vir com as metades
Das páginas em branco,
As de cima ou as de baixo,
Pouco importa.
O leitor sempre terá algo a dizer
Antes ou depois do poema.

Pensando melhor,
Livros de Poesia
Deviam vir com metade
Das páginas em branco.
As ímpares para os independentes,
As pares para os solitários.
Talvez as ímpares sirvam aos improvisos
E as pares aos imprevistos.

Pensando melhor,
Livros de Poesia
Deviam vir pela metade,
A primeira ou a segunda,
Para aqueles que nunca terminam um livro
E para aqueles que não sabem por onde começar.

Pensando melhor,
Livros de Poesia
Deviam vir em branco,
Para que a poesia
Não fique aprisionada
E que o leitor, esse sim, poeta,
Pense mais, pense muito,
Pense sempre, pense melhor. 

(15/07/15)

terça-feira, 7 de julho de 2015

Promessa ou ameaça?



Cansei de gente dizendo
Que a Poesia
É sem futuro!

Vou fazer Poesia
Até o fim dessa vida infinita,
Até depois do recomeço,
Até se acabarem as palavras.

Vou fazer Poesia
Até a besta 666
Receber outro dígito,
Até calarem-se os profetas,
Até desaparecerem os filósofos.

Vou fazer poesia
Até o quinto dos infernos,
Até o sétimo céu,
Até que se rompam todos os selos,
Até que todos os apocalipses ocorram.

E depois que tudo se for,
Depois de todas as entropias,
Depois de tudo se acabar,
Depois de cada coisa se escafeder,
Eu já sei o que vou fazer:
Vou fazer Poesia!

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Desmotivo



“Cansei-me de ser moderno. Quero ser eterno.”
Pablo Picasso
Arre! Basta de discursos
e que venha a discursividade!
Me vejo farto de teorias,
atolado em conceitos.
De que vale tanto falar
se veda os caminhos indicados?
Só o que é preciso
é abraçar a expressão,
é explodir num brado retumbante
ou num retumbo bradante,
ou apenas num silêncio
capaz de sacudir as pedras.
Há que se dançar sem medida,
cantar fora do tom,
fazer filmes com folhas secas,
na relva, na pedra ou no cabide,
deixar corram livres lágrimas
levando leves lufadas enluvadas.
É tempo de idolatrar a dúvida
e retomar o caos primevo.
Jogar fora tudo o que não chegou a ser
e “lutar com as palavras” lado a lado
no vão por onde vão
todos os vãos desejos a escorrer pelo ralo.
Arre! Basta de discursos,
e que venham as palavras!

domingo, 14 de junho de 2015

Ilusória distância



Saudade, palavra única,
Sentimento de todos;
Vivência que chega
E não se vai.

Saudade, palavra ingrata.
Como um som tão bonito
Consegue doer tanto?

A saudade sempre nos alcança
E não tem jeito de fugir;
Saudade pode ser doença,
Banzo de quem é desterrado
De si mesmo.

Saudade pode ser só lembrança,
Mas como cresce...
E fica do tamanho
Que a alimentamos.

Saudade causa engano
Em fazer acreditar
Que é eterna
Quando é só infinita.

Saudade é esperança
E promessa de reencontro.

Natal – 05/06 
Mesquita – 12/06