quarta-feira, 16 de maio de 2012

Em maio


a casa,
a estrada em sinuosidade,
as pedras,
os grilos,
os montes e os vales,
a história de um passado
sempre a ser presente;
coroas caídas,
torres de prece,
homem que sonha
e se faz
menino passarinho.
máter dulce entronada
e o fim ilusório a seus pés.
imagenssouvenires nos olhos e na bolsa.
sorriso incansável
companhia companheira
finalcomeço do inominável,
ponte etérea ligando dois sins.
entrega
troca
(com)partilha
suspiros e bocejos de uma tarde espreguiçadeira
sonhos,
ideais,
planos...
e a pedra-cidade por testemunha.
Petrópolis
18/05/2009

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Ainda a poesia


     A poesia tem sido uma das principais formas de expressão da Literatura. Em todos os tempos, em toda parte, em qualquer cultura, lá está a expressão poética.
     Passam-se as eras e o interesse por tal matéria permanece vivo. Mesmo na atualidade, nessa época de Internet e tecnologia, vemos como o ser humano ainda se volta para os versos e as imagens poéticas. Exemplo disso é a enormidade de sites, blogs, comunidades virtuais que se multiplicam na rede. Sem esquecer dos eventos literários que têm se tornado mais e mais comuns (felizmente) nas grandes e pequenas cidades.
     Mas afinal de contas, por que tanto interesse em algo [aparentemente] tão comum? Vejamos a palavra do crítico e professor Ítalo Moriconi:
     Para a tribo dos leitores, a poesia traz sobretudo promessa de prazer. É gostoso ler poesia. Para alguns, é até mais gostoso que ler romance. Por certo, é mais gostoso que filosofia. Poesia respira, joga com pausas, alterna silêncios e frases (os versos). Poesia é bonito na página, é festa tipográfica. Festa para os olhos. Ritmo visual que vira sonoro, quando lemos o poema em voz alta. Imaginação e sabedoria combinadas numa certa vertigem, a velocidade das estrofes. Linguagem concentrada que, no entanto, pode distender-se, estender-se. Todos os cinco sentidos traduzidos, por meio da palavra, em coisa mental. Coisa mental que se pode comunicar pela fala, guardar na página ou na memória, que nem talismã.* (grifos meus)
     Acredito que o que o eminente professor procura demonstrar é, em outras palavras, que o ser humano sente verdadeira necessidade da poesia. E que a poesia, por sua vez, tem a facilidade de arrebatar aqueles que se predispõem a parar um pouco e lê-la ou escutá-la.
     Vai aqui um depoimento pessoal: eu tinha meus 8 anos de idade quando fui a um evento filantrópico com meus pais. Não me lembro direito do que foi mostrado naquele encontro, mas me lembro de um senhor moreno, cabelos grisalhos e jeito simples ser chamado ao tablado (havia algumas mostras artísticas); ele cumprimentou o público, agradeceu a presença de todos e começou a falar de uma forma que u nunca tinha visto antes. As palavras saíam de sua boca num ritmo que parecia música, mas não havia nenhum instrumento musical sendo tocado, seguindo numa cadência encantadora.
     Eu estava deslumbrado! Aquilo que eu ouvia me despertara da sonolência natural em uma criança de 8 anos que vai a um evento para adultos. As palavras fluíam e eu me sentia arrastado pelas águas bravias e ao mesmo tempo aconchegantes de um rio que parecia correr pelos meus ouvidos e que logo me envolvia por inteiro. Nem percebi quando acabou e me lembro de ter ficado com as mãos doendo de tanto aplaudir àquele senhor que depois se sentou e ficou muito quietinho. Ele voltara para seu lugar, mas eu ainda o olhava de longe, espantado...
     No caminho de volta, lembro de ter tido uma conversa com meu pai que foi mais ou menos assim:
     – Pai, o que era aquilo que aquele moço tava falando lá no palquinho?
     – Aquilo, meu filho, se chama poesia. Ele estava declamando poesia.
     Nesse dia nasceu uma paixão em mim: pela poesia! Uma paixão que se estendeu ao poeta que conheci naquele dia, João Prado. Uma paixão que me acompanhou pela infância e adolescência e que foi fundamental na escolha de minha profissão. Paixão que procuro transmitir aos meus alunos no dia a dia da sala de aula.
     Acredito que a poesia e os poetas são detentores dessa capacidade de despertar a paixão nas pessoas. O gosto e o amor pela vida. O encantamento pela existência e por tudo o que existe no mundo.
     Eu sei que existem aqueles poetas que traduzem em versos as angústias humanas, mas mesmo esses acabam por legar aos leitores páginas ricas de paixão poética.
     Não temos como prever que tipo de poesia teremos daqui para adiante, mas acho pouco provável que a poesia deixe de existir e de encantar os homens. Afinal, o ser humano tem necessidade de paixão.

MORICONI, Ítalo. Como e por que ler a poesia brasileira do século XX. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Rouxinol


para Ana Cláudia Bittencourt
Canta rouxinol
O teu cantar
Para luz do sol
Ou do luar.

Voa rumo à liberdade
De tua estrela interior
E faz brilhar a claridade
De teu jardim todo em flor.

Nas estações da alma,
Portos desta jornada,
Na mansidão dos teus passos
Mesmo na estrada sinuosa
Traz em ti amizade luminosa
Faz de nós vários laços,
De uma fé renovada,
Espalha acordes de calma.

Tens muito ainda pra brincar,
Pois criança és de Deus,
Com áurea flor feita em luz
Irradiando tanta bondade,
Elos de amor, de irmandade
Que no teu canto faz jus
Elevando os acordes teus
Até o infinito alcançar.

E na discreta figura
A voar despercebida
Não encontres censura
Para cantar a vida.

Da sua simples penugem
Sobressaia humildade,
Que teus acordes refulgem
O amor a toda a humanidade.

sábado, 21 de abril de 2012

Sopros: imagens do lançamento

Aconteceu hoje (21/04) o lançamento oficial de meu novo livro "Sopros e outros poemas", nas dependências da Casa de Cultura de Nova Iguaçu. Estiveram presentes os meus queridos companheiros da Cialemarte e diversos companheiros da Academia de Letras & Artes de Mesquita. Na ocasião também lancei a segunda edição de meu primeiro livro "Enquanto Clara Dormia", cuja primeira edição foi lançada em 2011. Para mim foi motivo de alegria e júbilo comemorar esta data com minha família e os amados de meu coração. Confiram algumas imagens.

Othon Ávila Amaral
Presidente da Academia de Letras & Artes de Mesquita

Márcio Firmino
Presidente da Irmandade Espírita José da Luz

Lorena Varella
da Cialemarte

Renata França
da Cialemarte

Geraldo Magela
Escritor

Lia Mariah
da Cialemarte

Jorge Rocha
da Academia de Letras & Artes de Mesquita

Jorgina Oliveira
da Cialemarte

João Prado
O Mestre e também da Academia de Letras & Artes de Mesquita

Zaly Machado
da Academia de Letras & Artes de Mesquita




quarta-feira, 11 de abril de 2012

Você sabe de onde eu venho?

Você sabe de onde eu venho?
Venho de quando em quando,
Venho de passo em passo,
Venho pé ante pé
Buscando versos no ar,
Traçando frases na pedra,
Ou quem sabe na areia,
De memórias alheias.

Você sabe de onde eu venho?

Venho de minha parte,
Venho com engenho e arte
Falar pra você que me escuta
Que há um tempo bem bom de dançar.
Venho tocando a vida
Nas cordas de um violão.

Você sabe de onde eu venho?

Venho de páginas em branco
Riscadas com cores e sonhos,
Marcadas a ferro e nuvens
Com traços invisíveis
Aos que não sabem sentir.

Você sabe de onde eu venho?

Venho de alguma parte,
Ou então de parte alguma,
Venho de onde a luz pede para brilhar,
Venho de onde canções não se calam,
Venho daquele lugar especial
Que é entrevisto em momentos mágicos
Quando sonho e realidade se confundem.

Você sabe de onde eu venho?