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segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Eles ali



Hoje pela manhã
Encontrei meu pai e minha irmã
Me esperando na cozinha
Para o café.
Puxei uma cadeira,
Puxei conversa,
Meu pai puxou pela memória
Os nomes de parentes
Que andam sumidos.
Minha irmã cantarolava
Enquanto mergulhava os biscoitos
Em uma caneca de café quente.

Hoje pela manhã
Esqueci-me da hora
Entre os sorrisos algo melancólicos
De meu pai
E os carinhos e cuidados
De minha irmã.

Hoje pela manhã
Tornei a reparar na história
Gravada nos olhos de meu pai
E, pela primeira vez,
Notei a vida pulsante e alegre
Nos intensos olhos de minha irmã.

Hoje pela manhã
Saí devagar pela porta da frente.
E pela primeira vez em muito tempo
Não senti tanto a falta
Daquele pai morto há tanto tempo,
Mas como doeu a saudade
Daquela irmã nunca nascida.
Glaucio Cardoso
09/09/16

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Sempre aqui



Quando tua morte chegou
Eu já estava preparado.
Havia organizado os papéis,
Havia pensado os detalhes,
Havia ensaiado as lágrimas
E os comedidos gestos fúnebres,
Mas não me preparei
Pra tua ausência!
Agora não sei que fazer
Com o espaço de sobra,
Com o segundo lugar do sofá,
Com a comida que é sempre muita,
Com o silêncio depois do bom dia.
Tua morte foi toda de uma vez,
Tua ausência chega toda hora.
A morte é aguda,
A ausência é crônica.
Tua morte ficou no campo santo,
Tua ausência está presente nas fotografias.
Belas doutrinas nos ensinam
Que a morte não é o fim,
Mas é sozinhos que temos de aprender
A viver com o sem fim da ausência.
É sozinho que aprendo
A viver com o sem você aqui...