segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Llanto por García Lorca

 



Te siento en mí

Como uno recuerdo;

Es que estuve leyendo tu vida,

Tus poemas, tus angustias,

Y poco a poco

Tu llegaste.

He venido al mundo

Cuarenta años después

De tu partida.

He nacido anónimo

Como anónima fue tu muerte.

Ahora escribo en tu idioma

Cierto de los errores que cometo.

Necesito hacer de tu lengua

La mi lengua,

Para intentar romper

El abismo que hay

Entre nosotros.

Es que nuestros abuelos

Nos regalaron con el

Espíritu de España!

La misma España

En que tú caminaste,

La misma España

Que nunca he visto.

Me gustaría sentir

La luna gitana que tú cantaste,

Y danzar con las guitarras

Andaluces y llenas de encanto.

Es que en mí

Duerme un duende

Que sueña ser el tuyo,

Y por tú dejo derramarse

El llanto de cuantos

Versos no fueron escritos.

No pienso ser como tú,

Pero recuerdo tu poesía

Mientras busco la mía.


Glaucio Cardoso

17-18/09/15

sábado, 3 de setembro de 2022

Seguindo

 


Passei um tempo
Te recordando,
Como quem recorda
Um ex-amor.
Não que já tenha
Um dia te esquecido,
Mas datas redondas
Sempre parecem maiores
Com o tempo,
Embora formadas
Do quebrado de cada dia.

Difícil crer no tanto
De tempo que já passou,
Esse ano terminado
Em zero menos você.

Tantos chegaram
Na tua ausência,
Te contei àqueles
Que não te viram passar,
Como uma forma de
Segurar o tempo.
Mas areia e água
Escorrem das mãos,
Por mais força que se faça,
E assim outros te seguiram.

O caso é que
O tempo passou
E eu segui,
Segui sem você,
Mesmo você seguindo comigo.

Glaucio Cardoso
Para meu pai, no 20° ano de sua partida.
28/05/2022

domingo, 28 de agosto de 2022

O silêncio do Rei

 

Imagem: Giovanna Gonzaga


Chega o mês do número infinito,

mês que parece inacabável.

Mas é também o mês do recolhimento.

Do primeiro ao último dia,

nas trinta e uma manhãs,

trinta e um anoiteceres,

trinta e um passos,

trinta e uma oportunidades,

trinta e um momentos únicos,

do primeiro ao último,

um Rei caminha entre nós.


Seu rosto coberto não oculta seu saber.

Sua humildade discreta evidencia

a majestade de seu andar.

Sua reserva impõe reverência e respeito.

É preciso merecer sua presença.

Assim TOdos TOmam sua bênção

como de um avô amoroso, justo e nobre.


Neste mês longo e especial,

calemos nossas queixas e,

em nosso íntimo,

façamos silêncio,

pois o Rei está entre nós.

Glaucio Cardoso

19/08/2022

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Do luto

 



Escrevo como forma de luto,

na esperança de que versos,

com ou sem métrica,

com ou sem rimas,

com ou sem,

sem…

de que versos traduzam

as lágrimas que guardo,

tanto quanto as que correm,

na esperança de que versos

substituam a vivência de um luto

que não temos mais como nomear.


Escrevo como forma de luta,

na tentativa de que os versos

desatem os nós na garganta,

na tentativa de que os versos

sejam gritos de protesto,

de denúncia,

de resistência

a toda a opressão

e violência que insistem

em imperar a cada geração.


Escrevo em luto,

escrevo em luta,

me recolho no luto

sem me encolher na luta.


E entre o luto e a luta,

escrevo…

Escrevo na esperança de reunir

versos para curar o tempo.

Glaucio Cardoso

10/09/21

quinta-feira, 23 de junho de 2022

O espelho

 


Sou amigo de ideias

pouco exploradas;

talhado na mais simples

madeira sem lei.


Persigo incômodos,

prefiro os lugares incomuns,

aqueles mal estofados

onde ninguém quer sentar.

Por isso muitas vezes sou só,

só um sujeito pensante,

só um sujeito errante,

só num instante

em busca de um sextante

que me oriente

até EU destino.


Sou contra modismos,

contra superficialidades,

acho até que vivo contra o vento

só pra ele me fazer girar

feito o brinquedo de minha infância.


E por isso muitas vezes sou só,

como um personagem perdido num palco

sem ator que me anime.


E mesmo assim

sou feliz.

Pois nesta inadequação

realizo o desejo

de ser mais que apenas

igual ao que esperam que eu seja.

Glaucio Cardoso

22/06/22