terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Orando

 




É preciso hoje
Elevar o pensar,
Agradecer e orar.

Num sussurro de gratidão
Curar a dor
E espantar a solidão.

Fazer silêncio no interior
Para encontrar-se seja onde for.

A oração em tempos de dúvida
São versos para curar o luto.

Eleva,
Pensa,
Agradece
E ora.

Sem escolher palavras
Sem esconder sentimentos.

Não é preciso saber,
Basta saber sentir.


Glaucio Cardoso

Dez/2021

Identidade Indígena (Eliane Potiguara)


Minha leitura do poema de Eliane Potiguara com algumas considerações sobre a leitura de poesia.

 

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Do saber e do não saber dos ancestrais

 



É preciso aprender com os ancestrais...

Eles que nos falam através dos tempos,

Que nos ensinam pela tradição.

Os ancestrais são aquelas sementes

Lançadas em todo tipo de terra.

Quando esquecemos seus rostos,

Ignoramos de onde vêm nossos passos,

E assim nos aproximamos da borda do abismo.


Sim é preciso louvar os ancestrais.

Mas também é preciso perdoá-los.

Os ancestrais não sabiam que eram ancestrais.

Estavam presos a seus tempos,

Apegados a seus solos,

E nem sempre pensavam naqueles que estávamos por vir.


Os ancestrais não sabiam que sua obscuridade

Podia ser depois a semente das ignorâncias.

Os ancestrais eram como nós,

Vivendo o dia a dia

Muitas vezes esquecidos daqueles já idos

E daqueles que ainda viriam.


Soubessem o que nós sabemos,

Talvez os ancestrais pensassem melhor

No que legariam a nós...

Nós, os ancestrais dos que ainda virão.

Glaucio Cardoso

17/07/2020


terça-feira, 28 de setembro de 2021

Dez leituras

 



Está resumido nos livros escolares...

Referência bibliográfica obrigatória...

Há perguntas em provas...

Trechos nos concursos...

Frases soltas em epígrafes...

Mas o livro jaz morto.

Empoeirado.

Esquecido.

O autor entrou pelo cânone.

Glaucio Cardoso

13/08/2020



segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Pequena história de um amor incompreendido

 



Já faz três noites que esse cricrilar me acorda,

feito um relógio

soa sempre à mesma hora.

Cacei o grilo pela sala,

na cozinha,

e o danado a me zombar

até alta madrugada.


Na quarta noite foi que o vi de relance.


Na quinta noite se mostrou despudorado.


Na sexta noite, com destreza e com um copo,

levei ele para fora.


E no jardim deu um salto em silêncio,

um silêncio tão silêncio

que até me pareceu magoado.


Juro por Deus que me olhou amargurado

e depois desapareceu.


A sétima noite chegou e eu não tenho descanso,

pois agora eu entendi

que abri mão da serenata

que ele me oferecia.

Glaucio Cardoso

29/09/2020