terça-feira, 2 de junho de 2026

Um voo de 25 anos


    Ao receber a edição mais recente da Revista Asas, fui tomado pelo sentimento do inusitado.

    No editorial de Cláudio Luchesi, que é sempre a primeira coisa que leio a cada edição, eis que ele diz: “Não é sempre que se pode celebrar 25 anos de um trabalho.”

    Estremeço. 25 anos da Asas!? Como não vi isso chegando?

    Fui lançado no tempo. Ainda me recordo do dia em que vi a primeira edição. Eu voltava do trabalho e desci no Largo da Carioca, coração do Rio de Janeiro, a caminho da faculdade, quando parei em frente a uma banca de jornais para meu ritual de olhar as publicações. E lá estava um imponente Republic P-47 Thunderbolt com as cores do 1º Grupo de Aviação de Caça e em pleno voo! Claro que eu precisava comprar aquela revista, nem que para isso tenha tido de abrir mão de lanchar na faculdade.

    Segui comprando a publicação a cada bimestre. Depois de um ano me tornei assinante, o que tem se mantido até hoje (exceto por um breve período em que não renovei a assinatura, mas prossegui comprando a edição em banca).

    Com a edição 142 nas mãos me ponho a refletir no que me ocorreu nos últimos 25 anos.

    Concluí a graduação em letras. Fiz mestrado em literatura brasileira. Iniciei uma inacabada graduação em história da arte. Me doutorei em teoria literária. Me casei. Separei. Casei e separei. Casei e fui pai. Dei as boas vindas a novos amigos. Me despedi de meu pai. Publiquei livros e artigos. Comprei uma casa. Passei por diversas escolas. Passei por períodos de desemprego e incerteza. Passei pela pandemia. Vi governos ascenderem e caírem. Presenciei uma tentativa de golpe de estado. Greves. Avanços e retrocessos...

    E durante tudo isso, acompanhei as mudanças na aviação mundial, como a chegada dos veículos não tripulados, as crises, a história da aviação sendo escrita e também recordada. A Asas se tornou uma parte tão constante de minha vida, de minha rotina, que não creio ser fácil lembrar de um momento em que ela não estivesse presente, nem que fosse como um objeto pousado na mesa do fundo em uma fotografia.

    Este texto não tem a pretensão de ser um grande registro ou uma homenagem retumbante. É apenas uma reflexão sobre como a permanência de algo não exclui a constante transformação e crescimento.

    Penso que o que caracteriza a perenidade da revista seja justamente sua capacidade de constantemente apresentar o novo sem desconectar-se de sua identidade. 

    Para mim, o que mais importa é a presença que a Asas tem em minhas leituras. Desde criança que me interesso por aviação, possuindo de livros a miniaturas, a maior parte adquirida já na vida adulta. Encontrar a Asas foi certamente um divisor de águas (ou seria um divisor de “asas”?), pois me trouxe, além das informações históricas, que sempre motivam o aficionado pelo tema, a atualidade do estado da aviação.

    Creio não ser exagero dizer que, ao longo dos 25 anos da revista, ela nos proporcionou acompanhar a atualização da aviação em tempo real e ao mesmo tempo nos permitiu um constante voo pelas páginas da história.

    Neste ano em que chego aos 50, expresso minha gratidão à revista por ter sido minha companhia ao longo de metade da minha vida, passando por céus de brigadeiro, voando no cisca e atravessando turbulências para me revelar uma paisagem incrível acima de qualquer nuvem.

    E que venham outros voos.

Glaucio Cardoso

02/06/2026





A coleção completa no dia de arrumação, antes de ir para a nova estante. Cada pilha comporta dois anos de publicação.

Algumas das edições especiais. A Asas foi pioneira em publicar material sobre o SU-35 e sobre o Gripen brasileiro.

A editora da revista mantém em seu catálogo algumas obras importantes para a história da aviação mundial, dentre as quais possuo estas.



Em minha biblioteca, há esse espaço dedicado à aviação, onde a Revista Asas vai ocupando espaço crescente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário